EUA oficializam PCC e CV em lista de terroristas globais; veja quais facções latinas dividem o grupo
29/05/2026 3 visualizações Por ANTONIO CASTRO

Decisão do governo Trump entra em vigor em 5 de junho e alinha facções brasileiras a cartéis violentos do México, Venezuela e El Salvador, congelando ativos internacionais
O governo dos Estados Unidos determinou oficialmente nesta quinta-feira (28) a inclusão das duas maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) e de Terroristas Globais Especialmente Designados. A medida, que passa a ter efeitos práticos a partir do próximo dia 5 de junho, eleva o patamar do combate financeiro internacional às facções brasileiras e gera forte atrito diplomático entre Washington e Brasília.
A designação ocorre em meio à pressão de parlamentares da oposição brasileira e governadores, e foi confirmada após agendas oficiais recentes nos EUA. Com a canetada, o PCC e o CV juntam-se a outros 14 grupos criminosos de grande porte da América Latina que a gestão de Donald Trump classificou sob a mesma ótica de terrorismo internacional, focando no estrangulamento de suas redes globais de lavagem de dinheiro e tráfico.
O "Clã Latino" do crime na mira de Washington
Ao ingressarem no rol de organizações terroristas, as facções brasileiras passam a partilhar o mesmo status e nível de sanções financeiras brutais aplicados contra cartéis de drogas implacáveis e gangues transnacionais da América Latina. Conheça os principais grupos da região que dividem a lista com o PCC e o CV:
México: Os principais alvos são o Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG) — considerado uma das organizações mais violentas do mundo e responsável pela epidemia de fentanil nos EUA —, o Cartel de Sinaloa (historicamente liderado por 'El Chapo' Guzmán) e o Cartel del Noreste (dissidência violenta dos antigos Los Zetas), além do Cartel do Golfo e La Nueva Familia Michoacana.
Venezuela: O grupo dominante na mira é o Tren de Aragua, facção que expandiu suas operações por toda a América do Sul (inclusive com forte presença na prostituição e extorsão na região Norte e Sul do Brasil) e que possui ramificações ativas dentro do território norte-americano. Há também sanções pesadas contra o chamado Cartel de los Soles, operado por militares venezuelanos.
El Salvador: As arquirrivais Mara Salvatrucha (MS-13) e a gangue Barrio 18, conhecidas internacionalmente pela extrema violência urbana e rituais de iniciação, também figuram como alvos prioritários de terrorismo global para o Departamento de Estado americano.
Colômbia e Equador: O Clan del Golfo (Colômbia) e os Los Choneros (Equador) completam o cerco do Departamento de Estado aos principais exportadores de cocaína da costa do Pacífico.
O que muda na prática para o PCC e o CV?
A inclusão na lista de terrorismo estrangeiro não significa uma intervenção militar, mas funciona como uma "bomba atômica financeira". A partir de junho, qualquer banco, instituição financeira ou empresa global que movimentar, ocultar ou facilitar transações ligadas a membros do PCC ou CV sofrerá sanções automáticas da Justiça dos EUA.
Além disso, todos os bens e ativos imobiliários ou em criptomoedas dessas facções que passem pelo sistema financeiro em dólar serão sumariamente bloqueados. O governo americano também passará a estipular recompensas internacionais multimilionárias (como os US$ 15 milhões oferecidos anteriormente por líderes de cartéis parceiros) por informações que levem à captura de chefes do crime brasileiros que operam no exterior, principalmente na rota do Cone Sul.
Divergência Diplomática
A classificação dividiu as autoridades. Enquanto a oposição ao governo federal no Brasil comemorou o anúncio como uma vitória no cerco ao crime organizado, diplomatas e o Palácio do Planalto mantêm forte ressalva. O entendimento histórico do Itamaraty é de que equiparar facções criminosas ao terrorismo enfraquece o termo técnico, já que grupos como o PCC e o CV operam puramente pelo lucro capitalista e pelo domínio territorial, desprovidos de motivação estritamente política ou ideológica — que é o princípio basilar para definir um ato terrorista global.
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